
05-01-2007 - São Paulo - Boletim Greenpeace
INPE prevê clima mais quente e seco na região amazônica em 70 anos
Segundo
novo modelo climático desenvolvido pelo instituto, temperatura na
região aumentará e poderá transformar floresta num grande cerrado. O
estudo mostra ainda que as temperaturas médias no Brasil aumentaram
0,7º C nos últimos 50 anos.
A Amazônia ainda vai
sofrer muito com as mudanças climáticas que estão em curso. De acordo
com os dados do novo modelo climático desenvolvido pelo Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) (divulgado no dia 29 de dezembro
pelo jornal Folha de S. Paulo), a região terá em 70 anos um clima mais
quente e seco do que o atual, com uma elevação de temperatura de cerca
de 6º C. O grande risco, afirma José Marengo, coordenador dos
pesquisadores do Inpe no projeto, é de que parte da floresta amazônica
se converta em cerrado entre 2071 e 2100. O estudo do Inpe mostra ainda
que as temperaturas médias no país aumentaram 0,7 º C nos últimos 50
anos. Os dados serão apresentados ao Ministério do Meio Ambiente em
fevereiro.
"Esse estudo do Inpe comprova o papel de vítima e
vilã da floresta amazônica em relação ao aquecimento global", afirma
Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace. "Vítima porque
sofre com os impactos do aquecimento global, e vilã porque as queimadas
são uma das maiores responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa
que causam as mudanças climáticas."
Marengo e o climatologista
do Inpe Carlos Nobre, que também participou do estudo, foram
entrevistados pelo Greenpeace para o relatório e documentário Mudanças do Clima, Mudanças de Vidas - Como o Aquecimento Global Já Afeta o Brasil,
lançado em agosto de 2006. O relatório e o documentário trazem
testemunhos de vítimas na Amazônia, Nordeste, região Sul e zona
litorânea brasileira. São pessoas que viram suas casas destruídas por
causa de ventos ou inundações, perderam suas lavouras e animais por
causa de secas, ou foram atingidas por catástrofes climáticas. O
relatório e o documentário mostram ainda as relações entre a destruição
da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, e o aquecimento
global, e como o desmatamento e as queimadas fazem do Brasil o quarto
maior emissor de gás carbônico do planeta.
Para ler o relatório, clique aqui.
Para ver o documentário, clique aqui.