
SOBRE O
AMOR
O texto de uma
cronista brasileira abre-nos uma perspectiva importante e delicada a respeito do
amor.
Suas linhas
dizem:
“Fizeram a gente
acreditar que amor mesmo, amor prá valer, só acontece uma vez, geralmente antes
dos trinta.
Não contaram pra
nós que o amor não é acionado, nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente
acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha
sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que
já nascemos inteiros, e que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a
responsabilidade de completar o que nos falta.
Fizeram a gente
acreditar numa fórmula chamada ‘dois em um’: duas pessoas
pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.
Não nos contaram
que isso tem nome: anulação. E que só sendo indivíduos com personalidade própria
é que poderemos ter uma relação saudável.”
* * *
Nunca antes o amor
foi tema de tantos textos, estudos, experiências e obras
literárias.
Conforme a
experiência e inteligência humana vêm se transformando, transmuta-se também
nossa forma de ver e viver muitas coisas.
Assim, caem mitos e
erguem-se novas verdades, mais maduras, mais equilibradas...
Qualquer cogitação
mais aprofundada, hoje nos mostra que a idéia de não sermos completos, de que
precisamos de uma suposta outra “metade”, para que só assim
possamos ser felizes, é bastante absurda, e no mínimo questionável.
A imagem romântica
das “duas partes”, da união entre dois seres, é, sem dúvida,
repleta de beleza, mas só a evolução do pensamento para nos mostrar belezas mais
grandiosas ainda.
O quanto é belo e
esperançoso saber que podemos encontrar felicidade não apenas com uma alma, mas
com várias!
E aqui a palavra
“com” é deveras importante, pois vamos descobrir que não
encontraremos a felicidade “nas” pessoas, mas
“com” elas.
A felicidade é nossa
responsabilidade, é conquista individual.
Quanta alegria no
coração daqueles que “perderam” grandes amores, e que descobrem
poderem ter muitos deles nesta e em outras existências!
Quanto consolo para
as lágrimas dos que amaram e não foram correspondidos, para os que sofreram os
reflexos da imaturidade e desequilíbrio de seus amados.
Há muito para amar.
Há muitos para amar. Proclama a verdade da razão.
Muito para aprender
na vida a dois, na convivência diária com as diferenças, e nelas o grande
segredo do crescimento.
Desfrutamos do
conforto e proteção das naves da felicidade, em nosso castelo
“lar”, graças às afinidades, é certo.
Porém, são a
sabedoria e a maturidade conquistadas na convivência com as diferenças, as
grandes construtoras dessas paredes vastas e rígidas que asseguram o sucesso na
empreitada doméstica.
A visão ampla e
definida que já podemos ter, nos mostra de um lado a anulação, do outro a
tirania e a dominação, e faz-nos assim escolher o caminho do meio.
O caminho da
individualidade completa na essência, que na convivência com outros vai se
moldando e crescendo, perfectível que é, por natureza.
* *
*
Você
sabia
Que as almas gêmeas
no sentido absoluto do termo não existem?
“Deus jamais
criaria seus filhos pela metade. Seriam incompletos.
Trata-se, sem
embargo, de uma expressão poética, exatamente para representar aqueles
indivíduos que têm excelente encaixe psicológico de tal modo que se complementam
psíquica e afetivamente.
Não passa de um
símbolo para exprimir os grandes entrosamentos psíquicos, as grandes afinidades
entre almas.”
Texto da Redação do
Momento Espírita com base em crônica de Marta Medeiros, e na questão 22 do livro
Desafios da Vida Familiar, do Espírito Camilo, psicografia de
Raul Teixeira, ed. Fráter.