
TERCEIRIZANDO
RESPONSABILIDADES
Um artigo
publicado no jornal nos chamou a atenção, pelo tema enfocado.
Tratava das desculpas que sempre damos para justificar a nossa
infelicidade.
O
articulista dizia que um amigo seu, depois de mais de uma década de
casamento infeliz, separou-se e, após temporária euforia, caiu em
profunda tristeza.
Curioso,
perguntou-lhe: “qual a razão para tanto
sofrimento?”.
E seu
amigo respondeu: “aquela maldita está me fazendo uma grande
falta, pois agora já não tenho a quem culpar pela minha
infelicidade”.
O curioso
é que muitas vezes nós também agimos de maneira semelhante, pois
sempre estamos à procura de alguém a quem responsabilizar pela nossa
infelicidade.
E isso é
resultado do atavismo que trazemos embutido na nossa forma de pensar
e agir.
Quando
somos jovens ouvimos nossos pais e amigos dizerem que um dia
encontraremos alguém que nos faça feliz.
Então
acreditamos que esse alguém tem a missão de nos trazer a felicidade.
E passamos a aguardar que chegue logo para fazer o
milagre.
Mas,
antes disso, quando ainda somos criança, nossos pais acham sempre
algo ou alguém a quem culpar pelo nosso sofrimento.
Se nos
descuidamos e tropeçamos numa pedra, a culpa foi da pedra, que não
saiu da nossa frente.
Se
brigamos com o amiguinho, foi ele que nos provocou. Se tiramos nota
baixa na escola, a culpa é do professor que não soube nos
ensinar.
E é assim
que vamos terceirizando nossos problemas e nossa felicidade. E, por
conseguinte, as responsabilidades e as soluções.
Se sinto
ciúmes, é porque a pessoa com quem me relaciono não permite que eu
dirija a sua vida. Embora devesse admitir que é porque não sinto
confiança em mim.
Se a
inveja me consome, a culpa é de quem se sobressai, de quem estuda
mais do que eu, de quem avança e não me dá satisfação dos seus
atos.
Se alguém
do meu relacionamento tem mais amizades e recebe mais afeto do que
eu, fico inventando fofocas para destruir as relações, em vez de
conquistar, com sinceridade e dedicação, o afeto que
desejo.
Se uma
amiga, ou amigo, faz regime e emagrece, e eu não consigo, fico
infeliz por isso.
Se tenho
problemas de saúde e não melhoro, a culpa é do médico, afinal eu o
pago para me curar e ele não cumpre o seu dever..., ainda que eu não
siga as suas orientações.
Se não
consigo um bom emprego é porque ninguém me valoriza, e às vezes
esqueço de que há muito tempo não invisto na melhoria de minha
qualidade profissional.
* * *
Pensando
assim, nós nos colocamos na posição de vítimas, julgando que só não
somos felizes por causa dos outros. Afinal, ninguém sabe nos fazer
feliz...
Importante
pensar com maturidade a esse respeito, pois somente admitindo que
somos senhores da nossa vida e do nosso destino, deixaremos de
encontrar desculpas, e faremos a nossa parte.
* *
*
Se seus
relacionamentos estão enfermos, analise o que você tem oferecido aos
outros. De que maneira os tem tratado. Que atenção tem lhes
dado.
Considere
sempre que você pode ser o problema. Analise-se. Observe-se. Ouça a
sua voz quando fala com os outros.
Sinta o
teor de suas palavras. Preste atenção quando fala de alguém
ausente.
Depois
dessas observações, pergunte-se, sinceramente, se você tem problemas
ou se é o próprio problema.
Não tenha
medo da resposta, afinal você não deseja ser feliz?
Então não
há outro jeito, a não ser enfrentar a realidade...
A
felicidade é construção diária e depende do que consideramos o que
seja ser feliz.
Se
admitimos que a felicidade é uma forma de viver, basta aprender a
arte de bem-viver.
E bem
viver é buscar a solução dos problemas, sem
terceirização...
É assumir
a responsabilidade pelos próprios atos.
É admitir
que a única pessoa capaz de lhe fazer feliz, está bem
perto...
Para
vê-la é só chegar em frente ao espelho, e dizer: “muito prazer
pessoa capaz de me fazer feliz!”
Pense
nisso, e vá em busca de sua real felicidade, sem ilusões e sem medo.
Texto da
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em artigo de
Oriovisto Guimarães, intitulado “Os verdadeiros inimigos
do Brasil”, publicado no jornal Gazeta do Povo, no dia
03/12/2005.